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SINAPI

SINAPI: o que é, como funciona e por que importa

Campos Engenharia e Consultoria · 05/11/2026 · leitura de cerca de 7 minutos

O SINAPI é a referência de custos mais usada em orçamentos de obras no Brasil. Está por trás de editais de licitação, de análises de engenharia em financiamentos e do orçamento de muita gente que nunca ouviu o nome. Neste artigo você entende o que é o SINAPI, quem o produz, como os preços são pesquisados, por que ele pesa nas obras públicas e nos financiamentos e como usá-lo sem cair nas armadilhas mais comuns.

Resumo rápido

  • SINAPI é o Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil: insumos, composições de serviços, preços e custos por estado, publicados todo mês.
  • Quem faz: a Caixa define insumos e composições e mantém o sistema; o IBGE pesquisa os preços e calcula os índices.
  • Por que importa: é a referência em orçamentos de obras com recursos da União e serve de base na análise de financiamentos.
  • Não é tabela e não inclui BDI: é um sistema de referências, e o BDI é acrescentado por quem orça.

1. O que é o SINAPI

SINAPI é a sigla de Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil. Em linguagem simples, é um grande banco de referências para dizer quanto custa construir. Ele reúne:

  • Insumos: materiais, mão de obra e equipamentos, com código, descrição, unidade e preço.
  • Composições: a "receita" de cada serviço (por exemplo, alvenaria de vedação por m²), com os insumos e as quantidades necessárias, chamadas de coeficientes.
  • Índices: séries mensais da variação do custo da construção, calculadas pelo IBGE.

Os preços e custos são divulgados por estado, todo mês, nas versões desonerada e não desonerada. O sistema nasceu em 1969, no extinto Banco Nacional da Habitação (BNH), para acompanhar a construção habitacional. A Caixa assumiu a parte técnica em 1986 e, desde 1997, ele também abrange saneamento e infraestrutura. Hoje a Caixa o descreve como a principal fonte de referência de custos de obras e serviços de engenharia no país, papel definido pelo Decreto 7.983/2013.

2. Quem faz e quem mantém

O SINAPI é uma produção conjunta, e cada instituição faz uma parte:

InstituiçãoO que faz no SINAPI
Caixa Econômica FederalMantém o sistema: define insumos e composições (parte técnica de engenharia), faz a aferição das composições, define os encargos e publica os relatórios mensais. A Caixa não pesquisa preços.
IBGEPesquisa os preços dos insumos e os salários nos estados, trata os dados e calcula e divulga os custos e os índices da construção.

Em março de 2026, o Decreto 12.867 alterou o Decreto 7.983/2013: a Caixa segue mantendo o SINAPI, com a pesquisa de preços feita pelo IBGE ou por órgão de pesquisa congênere, e pode custear esse serviço. O IBGE informou que o decreto trouxe recursos adicionais ao sistema, após 13 anos de financiamento exclusivo pelo instituto.

3. Como os preços são pesquisados

O método está descrito no relatório metodológico do IBGE (edição de 2017). Em resumo:

  • Informantes: estabelecimentos comerciais e industriais, representantes, prestadores de serviços e construtoras.
  • Coleta mensal e presencial, do dia 1 ao dia 15 de cada mês.
  • Preço à vista, com impostos e sem frete. Para a mão de obra, usa-se o salário-hora bruto, com jornada de 44 horas semanais.
  • Famílias homogêneas: nem todo insumo é pesquisado todo mês. Insumos parecidos formam uma família, com um "representante" pesquisado mensalmente; o preço dos demais é estimado a partir dele por um coeficiente.
  • Abrangência: as 27 unidades da Federação, com concentração nas capitais e regiões metropolitanas. Os cálculos trabalham com o preço mediano.

4. Como as composições são montadas

É na composição que o SINAPI vira orçamento. O custo unitário do serviço é a soma de coeficiente × preço de cada insumo e de cada composição auxiliar. Veja uma composição aberta no OrçaObra:

Tela do OrçaObra mostrando a composição analítica 103328, alvenaria de vedação com blocos cerâmicos, SINAPI Bahia 09/2026 sem desoneração, com insumos, coeficientes, preços unitários e custo unitário por metro quadrado
Composição analítica de alvenaria de vedação no OrçaObra (SINAPI BA 09/2026, sem desoneração): insumo ou composição auxiliar, coeficiente, preço unitário e custo. Deslize para o lado para ver a imagem inteira.
  • Aferição: desde 2013, a Caixa afere as composições com metodologia própria, por meio de uma instituição aferidora. As composições só são ativadas após consulta pública.
  • Encargos: os encargos sociais entram como percentual sobre a mão de obra; os complementares aparecem nas composições de mão de obra ("pedreiro com encargos complementares").
  • Equipamentos: entram por custo horário produtivo (CHP) e improdutivo (CHI).
  • Desonerado: no desonerado, o cálculo dos encargos não considera o INSS patronal de 20% sobre a folha.
  • Sem BDI: as referências de custo não trazem BDI; ele é aplicado depois, sobre o custo.

5. De onde vem cada preço

Nem todo preço publicado foi coletado naquele mês, e o SINAPI identifica isso por legendas de origem. Três delas valem conhecer:

  • Coletado (C): pesquisado pelo IBGE no mês, no estado.
  • Coeficiente de representatividade (CR): estimado a partir do representante da família.
  • Atribuído São Paulo (AS): sem preço no estado, adota-se o da praça de São Paulo, que pode diferir bastante do mercado local.
Por que isso importaSe a composição escolhida tem insumos com preço de São Paulo, o custo não reflete totalmente o seu estado. Conferir a origem do preço faz parte do trabalho de quem orça, principalmente em obras públicas, onde desvios precisam ser justificados.

6. Importância nas obras públicas

Em obras públicas, o orçamento de referência sustenta o valor estimado da licitação, e é aí que o SINAPI vira regra. O Decreto 7.983/2013 manda obter o custo global de referência de obras e serviços de engenharia (exceto infraestrutura de transporte) a partir de composições com custos unitários menores ou iguais à mediana do SINAPI. Para infraestrutura de transporte, a referência é o SICRO, do DNIT. A Lei 14.133/2021, no art. 23, §2º, segue a mesma lógica, com SINAPI e SICRO no topo da ordem de preferência; segundo o TCU, obras com verbas federais ficam sujeitas a ela.

Há, porém, uma ressalva: o SINAPI é referência, não tabela. O decreto admite adaptar composições a especificidades locais ou do projeto, com relatório técnico, e custo acima da mediana só em condições especiais justificadas. Se o serviço não existe no sistema, a saída é outro sistema de referência ou pesquisa de mercado. Tabelas de estados e de órgãos (como a ORSE, de Sergipe) entram quando a regra local permite ou falta o item; esse tema ganhará artigo próprio.

7. Financiamento habitacional e obras privadas

A origem do SINAPI está na política habitacional, e o elo com o crédito continua. Em apresentações em eventos do setor, a Caixa indica o SINAPI como referência na análise de financiamento de obras privadas (exceto rodovias, que usam o SICRO), e suas publicações trazem exemplos de uso em tipologias de empreendimentos que chegam à Caixa para análise de financiamento e repasse de recursos.

Na prática, um orçamento feito com composições do SINAPI fala a mesma língua de quem analisa o projeto no banco. As exigências variam conforme a linha de crédito, então confirme com o agente financeiro o que será pedido. Já as construtoras privadas, segundo a Caixa, não são obrigadas a usar o SINAPI nas propostas de licitação: para elas, o sistema ajuda a entender o orçamento do órgão e a calcular custos.

8. Cuidados ao usar

  • Identifique a base: estado, mês e regime (desonerado ou não). Não misture bases no mesmo orçamento.
  • Leia a descrição e o critério de medição de cada composição antes de lançar a quantidade.
  • Veja a origem do preço, principalmente os de São Paulo (AS).
  • Acrescente o BDI de forma fundamentada.
  • Alterou coeficiente ou preço? Segundo a Caixa, a referência deixa de ser do SINAPI e a responsabilidade é de quem ajustou. Documente.
  • Itens sem preço exigem outra fonte ou pesquisa de mercado, e o sistema é atualizado todo mês.

9. Usando o SINAPI no OrçaObra

O OrçaObra foi feito para essa rotina: consultar o SINAPI por estado, mês e regime, abrir as composições, montar o orçamento com BDI e extrair relatórios. Seus dados ficam só no seu navegador. Veja dois relatórios do orçamento modelo do site, uma casa térrea de 100 m²:

Relatório Curva ABC de serviços do OrçaObra para o orçamento modelo, com classes A, B e C, gráfico de Pareto com a curva de percentual acumulado e tabela dos serviços de maior valor
Curva ABC de serviços: quais serviços concentram o valor da obra, com Pareto e classes A, B e C (há também a aba de insumos). Deslize para o lado para ver a imagem inteira.
Relatório de composições de custos unitários do OrçaObra com a composição 96557, concretagem de bloco de coroamento, aberta em insumos, mão de obra com encargos complementares e equipamento, com coeficientes e custos
Composições de custos unitários: cada item do orçamento aberto em insumos, mão de obra e equipamento. Deslize para o lado para ver a imagem inteira.

Para um exemplo de como ligar quantitativos às composições, leia o artigo sobre volume de terraplenagem no orçamento.

Use o OrçaObra gratuitamente

Consulte o SINAPI, abra as composições e monte seu orçamento de obra direto no navegador, sem cadastro e sem custo. Acesse orca.camposeng.com.br e compartilhe com um colega.

Perguntas frequentes

SINAPI é uma tabela de preços?

Não. É um sistema de referências; a Caixa orienta usá-lo como referência, com ajustes justificados quando necessário.

Quem mantém o SINAPI?

A Caixa mantém o sistema e define as composições; o IBGE (ou órgão de pesquisa congênere, desde 2026) pesquisa os preços.

O SINAPI é obrigatório?

Em orçamentos de referência de obras com recursos da União, sim, com exceções justificadas. Empresas privadas não precisam usá-lo; em obras sem recursos federais, vale a norma local.

O SINAPI inclui o BDI?

Não. O BDI é acrescentado pelo orçamentista sobre o custo.

Qual a diferença entre desonerado e não desonerado?

No desonerado, os encargos sociais não consideram o INSS patronal de 20% sobre a folha, o que reduz o custo da mão de obra.

O SINAPI serve para financiamento de obra?

Sim, como referência na análise de engenharia da Caixa. As exigências variam conforme a linha de crédito.

Fontes

Conteúdo educativoEste artigo resume informações públicas e não substitui as normas, a documentação oficial da Caixa e do IBGE nem a avaliação do responsável técnico. As regras mudam: confira a versão vigente nas fontes oficiais. O OrçaObra é uma ferramenta independente e não oficial, sem vínculo com a Caixa nem com o IBGE.